“Ghost Town” é o canto anti-babilónico de Greentea Peng

Greentea Peng revelou ontem o seu mais recente single, “Ghost Town”, primeira manifestação artística pós-RISING, o EP editado em 2019. O tema tece duras críticas à forma como Londres, cidade de onde é originária, está a ser gerida a nível político, destacando-se problemáticas como a gentrificação e, apesar de não ser tão directa e imediata, toda a questão do Brexit, diluída na letra e nas intenções. Esta não é, contudo, uma canção centrada apenas na realidade londrina, estendendo-se também às políticas a nível global. “A vontade constante dos nossos governos darem prioridade ao crescimento económico e à riqueza, e não se preocuparem com os habitantes locais, a sua comunidade e o nosso habitat natural”, explica a artista na sua página de Instagram.

“London Bridge is falling down”, canta Greentea Peng nos primeiros segundos do tema, depositando a sua voz, que em diversos momentos nos traz à memória o timbre de Amy Winehouse ou até Erykah Badu, sobre um instrumental de cadência dub e invólucro soul. “Desde as empresas de petróleo que roubam as terras dos povos indígenas até à demolição das torres urbanas, obrigando os habitantes a deixar as suas casas e a reeducar os seus filhos, muitas vezes a quilómetros de distância de onde viviam”, continua Peng. “Para a falta de casas a preços acessíveis, apartamentos que repousam à espera de investidores estrangeiros enquanto os nossos jovens dormem na rua. Para a desolação e o desrespeito irracional do nosso planeta. Que arda o Boris, o consumismo, o capitalismo e a porcaria da vossa tecnologia 5G. ‘Ghost Town’ é o meu canto anti-babilónico”, remata.

Mais do que um grito de revolta, “Ghost Town” funciona como um apelo à consciencialização, à importância de não baixarmos os braços e nunca nos darmos por vencidos, reclamando aquilo que é nosso por direito, sendo o refrão – “but you can’t take my city from me” – bastante conclusivo quando a essa ideia. “Mais do que tudo, ‘Ghost Town’ é uma mensagem para as pessoas que se perdem nas brechas cada vezes mais perigosas da nossa sociedade, para lembrá-las que são elas que constroem os seus lugares, suas energias, suas memórias e que ninguém as pode roubar, substituir ou replicar”, termina.

A artista actua no próximo dia 23 de Abril no Musicbox, em Lisboa.

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