Ric Flo: “A única coisa que me faz feliz todos os dias é criar”

Ontem, Ric Flo mostrou ao mundo “Green Light”, o seu mais recente single que sucede a “Replay”, “Can’t Complain”, “All In” e ao EP Rise of the Phoenix, todos eles editados em 2020. O novo tema é sobre perceber onde reside a felicidade. Olhar para além daquilo que o mundo espera e projecta em nós e seguir a nossa intuição. Deixar de lado qualquer resistência e seguir o que realmente importa. “Green Light” conta com produção de Tony Bones e com a participação do talentoso violinista J Hope.

Em declarações à Ritmoterapia, o membro dos Jungle Brown adiantou que “Green Light” fará parte de um EP, Wake Me Up When I Come Home, com edição marcada para dia 3 de Abril, sendo por isso o segundo neste formato a sair em 2020. “Neste momento estou mais focado em construir EPs de forma a gerir as minhas próprias expectativas e mostrar um trabalho centrado numa particular temática ou momento da minha vida. Eu olho para os meus EPs como mini álbuns”, afirma. “No decorrer do ano passado, andei a estudar a indústria musical assim como o meu ofício; a consistência foi o factor chave para a minha preparação para 2020”, completa.

Ric Flo gravou o EP Rise of the Phoenix no seu estúdio caseiro, o que se tornou num marco histórico para si. “Senti que grande parte do meu tempo estava a ser desperdiçado por não conseguir ter o pleno controlo do meu processo de criação”, revela. Sites como o Beatstars são fundamentais na mudança das regras do jogo, na medida em que permitem aos músicos trabalharem com talentosos produtores espalhados pelo mundo. “Foi uma dádiva de Deus conseguir contactar produtores locais e emergentes a partir de músicas que ouvi no Spotify e nas redes sociais”, revela.

Inspirado pelas estratégias de edição de rappers norte-americanos como Russ e DaBaby, Ric Flo procurou fazer algo semelhante nos seus termos. “Percebi que existe muito tempo, stress e expectativas depositadas no sucesso de um single. Não quero gastar dinheiro de forma estúpida com uma indústria que eu não consigo controlar e que simplesmente não merece esse empenho se fores alguém independente ao meu nível. Lembrei-me que a única coisa que me faz feliz todos os dias é criar. Isso é que é sucesso para mim – lançar música que me interessa e nos meus meus termos, e incrementar a minha base de fãs”.

Ric Flo - Do You - Press Pic s1_06

Algumas das músicas editadas este ano, como serve de exemplo “Replay”, que conta com a participação de MAEAR, envolvem-se num nocturno manto que por diversas vezes evoca um certo ambiente clubbing ao ouvinte, mesmo que assim não o tenha sido previsto pelo autor. “Eu diria que esse lado escuro tem marcado bastante as músicas, não necessariamente para um ambiente de club mas por ser música que mexe comigo. Os Soulection [plataforma de música independente, programa de rádio e colectivo de artistas fundado em Los Angeles] foram uma inspiração inicial de sonoridades que funcionam bem em club, adoro o seu trabalho. Em termos de imagem, decidi usar muita pintura com luz, que também pode transmitir essa ideia de vida nocturna, pois recorre à técnica de longa exposição, que tem que ser feita à noite”, conta.

No dia 27 de Setembro de 2019, os Jungle Brown, colectivo constituído por Ric Flo, MAEAR e Tony Bones, editaram Full Circle, o segundo registo de longa-duração que contém os temas “Ikoja”, “Wayside”, “We On” (com Sampa the Great) e a extraordinária “Keep It Movin’”, provavelmente uma das melhores músicas do universo hip hop editadas em 2019. Como qualquer outra banda nos tempos que correm, também os elementos dos Jungle Brown, que estariam a promover o trabalho da banda no geral e dos elementos a solo em particular, sofreram com a propagação do coronavírus. Ric Flo fala do seu caso específico. “Enquanto freelancer de design gráfico de animação, todo o meu ganha pão foi cancelado. Sou um grande defensor da assistência social e todo o trabalho que estava a fazer no sector foi adiado. O coronavirus lixou-me literalmente a vida toda, desde concertos a gravações de videoclipes”, lamenta. “Mas olhando para o lado positivo, isolo-me bastante quando faço música e todo o trabalho que realizo é feito a partir de casa, por isso, não mudou nada drasticamente até à data. Todos nós temos que utilizar a nossa luz para nos ajudarmos mutuamente e dar graças por estarmos vivos e com saúde para o fazer. Mais música. Mais arte. Mais escuta. Mais partilha”.

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