They Must Be Crazy e Selma Uamusse juntos em single dedicado a todas as sagradas águas do nosso Planeta Azul

No passado dia 20 de Março, os They Must Be Crazy revelaram aquele que é o seu mais recente single, “Expensive Water (Mati Yakataika)”, que conta com a participação da artista moçambicana Selma Uamusse.

O tema, que traz à boleia um vídeo onde é possível ver os músicos em formato live nos estúdios Namouche, é uma chamada de atenção para a urgência de salvaguardarmos o meio ambiente e os seus recursos. “Mati Yakataika, Si Ungayawolere” é um provérbio em língua nyungwe, idioma bantu falado em Moçambique, que significa que a “água derramada, não se volta a apanhar”. Nesta música surge com duplo sentido. “Pelo honrar ao que é sagrado antes do seu esgotamento”, garante a banda em comunicado, “e pelo aceitar e perdoar os erros do passado com a profundidade que nos permita agir com força revigorada para o futuro”. O convite a Selma Uamusse acontece por duas principais razões. Primeiro, por ter editado um álbum intitulado Mati (que significa “água” no dialecto moçambicano changana); depois, por esta ter sido “uma autêntica embaixadora na resposta às recentes cheias em Moçambique”, sublinha o grupo.

O lançamento de “Expensive Water (Mati Yakataika)” contemplava também uma apresentação na Culturgest, concerto que acabaria por ser cancelado por causa da crise pandémica do novo coronavírus. “Não deixa de ser irónico que um concerto com vista à sensibilização pela preservação daquilo que é essencial à vida seja cancelado por um fenómeno que vem exactamente escarrapachar a urgência disso mesmo perante todo o planeta”, reflete o colectivo. “E na realidade, faz todo o sentido que isto esteja acontecer. Ao mesmo tempo que somos obrigados a parar, está a acontecer uma revigorante limpeza do planeta, aos olhos de todos, que nos ajuda a compreender a nossa pequenez individual, e o impacto da acção ou neste caso, da não acção colectiva”, rematam.

Oriundos das zonas periféricas de Lisboa, os They Must Be Crazy são uma big band de 12 elementos que encontrou no afrobeat um essencial veículo de expressão. Fazem-no com vincada alegria e descontração, a bordo do balanço característico do género desenvolvido e popularizado por Fela Kuti, mas guardam um espaço para servir causas maiores e “intervir política, social, espiritual e corporalmente”, pode ler-se na sinopse. “Música para a comunhão, que enlouqueça as pessoas juntas em alegria e êxtase e as ajude a reconectar com a alma, para depois voltarem à vida com direcção mais alinhada e mais força de vontade para a mudança”, garantem. “Expensive Water (Mati Yakataika)” faz precisamente isso. Embala-nos um ritmo viciante, com baixos e apontamentos de percussão que nos convidam a abanar a anca, cortados aqui e ali por decididas frases de metais, teclas e vozes, mas traz nas entrelinhas uma urgente mensagem de preservação daquilo que nos rodeia.

Ainda em torno do novo single, os They Must Be Crazy deixam uma nota final. “É emergente entendermos que assim que isto passar, não podemos voltar às vidas com as mesmas cegueiras e comodismos dantes. Daqui a diante ou fazemos por evoluir juntos pela auto-regeneração dos nossos ecossistemas, ou continuaremos a aprender cada vez de formas mais duras, cada vez mais caras”.

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