Atravessamos tempos de muita incerteza e algum desespero, devido ao coronavírus. Os números continuam a ser arrasadores e ainda nos falta percorrer muito quilómetro neste escuro túnel até que o primeiro rasgo de luz se possa vislumbrar. Como forma de combater esta aflição colectiva os PYJÆN soltaram “PJFC”, segundo single do próximo EP, que serve de guia numa conturbada estrada. “Esta é para todos os que estão a passar por momentos difíceis nesta crise. Fiquem a salvo!”, partilhou o colectivo nas redes sociais.

Apesar de agora poder ser encarada como um balão de oxigénio para a COVID-19, “PJFC” começou a ser construída há cerca de um ano, pelo baixista da banda, Ben Crane. “Em Outubro do ano passado, depois de termos andado em digressão nos meses que antecederam o verão, decidimos ir para estúdio e gravar músicas”, conta Ben Vize, o saxofonista, ao Rhythm Passport. “Fechámo-nos durante algum tempo, trouxemos uma série de ideias e foi isto que saiu. Foi realmente o resultado de passarmos muito tempo juntos e construirmos mais e mais ideias. Mal podíamos esperar para juntar tudo”, acrescenta.

“PJFC”, acrónimo para PYJÆN Football Club, poderá ser visto como uma espécie de cântico para claque de futebol. “Começámos a tocar esta música nos nossos alinhamentos, e, depois de um concerto em Newcastle, a audiência começou a cantar em coro a melodia”, recorda Vize. “Soou mesmo a hino, uma música capaz de colocar toda a gente em sintonia. A dada altura pensámos em juntar-lhe uma data de sinos e editá-la como música da Natal, mas não tivemos tempo para isso, logo, decidimos lançá-la como um hino”.

Oriundos de Londres, os PYJÆN nasceram da tradição jazz e do espírito de improvisação mas rapidamente encontraram novas direcções musicais (a presença do trompetista Dylan Jones, que também integra os Ezra Collective, poderá ser uma importante coordenada das intenções artísticas desta família). As influências oscilam entre rock, electro, afrobeat, hip hop e fusion. “Estudámos todos na Trinity [conceituada escola em Londres] e, enquanto banda, idolatramos as grandes lendas do jazz. Artistas como Thelonious Monk, John Coltrane e Charlie Parker”, enumera o saxofonista ainda na mesma conversa. “Mas também temos os nossos gostos pessoais. Eu, por exemplo, também gosto de rock progressivo e adoro Frank Zappa, a música que compus para o EP é influenciada por ele”, adianta.

No passado dia 3 de Março, o colectivo mostrou ao mundo “Sage Secrets”, um tema que contou com a participação dos Blue Lab Beats. Ben explica como aconteceu esta conexão com a talentosa dupla londrina. “Dylan Jones é muito amigo de Namali [Kwaten] e todos nós conhecemos bem o David [Mrakpor]. Todos nós pensámos que seria uma mais valia ter essa produção do Namali, porque ele é muito, mesmo muito à frente. O David contribuiu com as teclas. Por isso, nasceu da nossa amizade e da capacidade de ver o potencial que seria esta conexão, e resultou muito bem”.

Quanto à omnipresente temática da COVID-19, o músico reflete: “é de loucos. Pode ser verdadeiramente destrutivo para todas as salas de espectáculo e os clubes do Reino Unido. E para os festivais também. Alguns dos maiores festivais vão conseguir reerguer-se no próximo ano mas os mais pequenos vão ter dificuldades. E estes eventos são verdadeiramente importantes por concederem aos artistas uma plataforma. Brainchild é o meu favorito, marquei presença nos últimos quatro de seis anos de existência. Serviu de rampa a uma série de artistas, como os Ezra Collective e Joe Armon-Jones. Espero bem que consigamos sobreviver a isto enquanto comunidade”, remata.

O novo EP tem data marcada para dia 29 de Maio e sucede ao registo homónimo editado em 2019.