Em tempos de isolamento social, o novo tema das Her Songs é uma saudável forma de contrariar a maré

Something in the way you say my name“, diz-nos o refrão do mais recente single das Her Songs, projecto feminino que junta Emmavie (Reino Unido), Emily C Browning (Nova Zelândia), The Naked Eye (Reino Unido/França), Marie Dahlstrøm (Dinamarca) and Dani Murcia (EUA/Colômbia). “4am Disco” beneficia de uma aura de discoteca em ambiente de avançada noite, quando os corpos se encontram em acentuado estado de ebulição e a mente já idealiza um ambiente mais íntimo. É sexy, sedutora e carrega nos bombos e tarolas a cadência certa para uma dança de proximidade. “I wanna get close to you, I wanna get closer“, cantam como forma de deixar clara a vontade quebrar a barreira da timidez que impede a acção. “Think it’s time to make a move, we’re running out of time / Don’t be shy baby, let your light shine trough” completam mais à frente. Em tempos de isolamento social, esta é um saudável forma de contrariar a maré.

Formadas numa perspectiva internacional, as Her Songs dividem-se em várias áreas musicais, entre produção, composição e canto. Em 2018, deram-se a conhecer com Los Angeles, um EP onde impera uma forte batida R&B mas no qual se encontram também momentos acústicos, como “Goodbye” e “Need More (Interlude)”. No ano seguinte, sairia um disco de remisturas assinadas por nomes como Ariza, Aramos e Tragic Youth.

Editado no passado dia 1 de Abril, Toronto Vol.1, de onde pode ser retirada esta efervescente “4am Disco”, volta a colocar o quinteto na estrada do ritmo, guitarra e voz. “If We Try”, o primeiro single a ser apresentado, explora a paciência e a vulnerabilidade enquanto veículo para experiências mais profundas na vida e nos relacionamentos. A abordagem é subtil mas chega-nos carregada de alma e um delicioso ênfase nas nuances, relembrando-nos que, no amor, um pouco de tempo e esforço pode fazer toda a diferença. “I Wonder”, onde se despem novamente da estrutura instrumental e se deixam acompanhar unicamente pela guitarra, nasceu de uma conversa à mesa sobre as alterações climáticas, onde se compartilharam as preocupações sobre o futuro das próximas gerações. “É difícil escrever letras políticas sem pregar, então, ao invés disso, concentramo-nos na perspectiva da juventude daqui a 50 anos, olhando para trás e imaginando como era andar de avião e ver o azul do oceano a partir do céu”, informam em comunicado.

Para o Complex, Marie Dahlstrøm disse que este é o primeiro capítulo da colecção Toronto, gravado em apenas quatro dias naquela cidade. “Eu acho que estas quatro músicas representam muito bem a nossa arte individual e tocam em diferentes tópicos e humores”, reflete. Emmavie acrescenta: “o curto tempo de resposta para cada música exigiu uma participação integral a cada uma de nós e, mais importante, permitiu-nos ser abertas e vulneráveis, sustendo as nossas próprias noções de ideia perfeita para o bem maior da música. O resultado é um trabalho que explora uma variedade de sons, texturas, temas e até idiomas”, conclui.

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