De um rio nos Himalaias ao estágio de crisálida. Há música nova dos Ruby Rushton para ouvir

Liderados por Tenderlonious, os Ruby Rushton são uma das bandas mais activas e proeminentes do jazz feito em terras de Sua Majestade. Só no espaço de quatro anos, o colectivo editou quatro trabalhos de originais aos quais se junta o repertório individual dos seus elementos – Nick Walters, por exemplo, lançou em finais de Janeiro o disco Active Imagination.

“Sun Khosi” é o título do novo single dos Ruby Rushton e antecipa um novo álbum que será editado em Novembro, com o carimbo da 22a. O tema é um tributo ao pai de Tenderlonious que passou muitos anos no Nepal a trabalhar como oficial Gurkha (soldados nepaleses recrutados pelo exército britânico), uma ligação que despertou no músico uma vontade de conhecer melhor a cultura oriental. O nome da música, que se traduz para “Rio de Ouro”, é retirado de um dos mais famosos rios no Nepal, que atravessa os Himalaias, e vai ao encontro da vibração afrobeat e quase veranil da música. É também a primeira composição e gravação que coloca Tenderlonious em frente à flauta alto, a qual tem um som mais profundo e adocicado em comparação com a flauta que normalmente utiliza. A música mostra ainda momentos de complexidade rítmica e frases de metais e sopro que dançam em torno de uma coesa estrutura de teclas.

 

“Chrysalis”, o lado B do single, foi composto nas teclas e sintetizadores por Aidan Shepherd, e é inspirado no estilo do pianista britânico de jazz John Taylor, que tinha uma certa obsessão por música em ritmos 3/4. Sobre a música, que ainda não foi revelada ao público, o colectivo adianta: “divide-se em duas partes distintas; começa com a nossa assinatura de melodias ágeis e um groove líder, e regressa ao som despreocupado de Two For Joy [disco de 2015], quando o baixo tinha a rara chance de vir à frente expressar-se em conjunto com as melodias de trompete e flauta”. O tema “Butterfly” de Herbie Hancock tornou-se uma constante nos alinhamentos da banda, por isso, as melodias e o groove de “Chrysalis” representam a incansável energia da borboleta prestes a sair da sua crisálida.

 

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