“Pensem nas coisas que nos deixam a cada um de nós felizes, as coisas que alcançamos pessoalmente para nos sentirmos com os pés no chão”, diz Nubya Garcia no comunicado de imprensa do seu mais recente single, “Pace”, a sua estreia pela Concord Jazz. O tema, com cerca de oito minutos, medita em torno do estilo de vida moderno, que nos deixa colectivamente “isolados e muito desligados de nós próprios e dos outros”. Para materializar esse sentimento, Garcia propõe uma viagem ao quotidiano citadino, onde as dinâmicas ganham um especial destaque e onde está representada a importância do descanso, do silêncio, antes do regresso à agitação e a essa jornada individual.

O batimento cardíaco do baixo de Daniel Casimir dá arranque ao tema, secundado pelas inquietas teclas de Joe Armon-Jones, membro dos Ezra Collective com quem Garcia trabalha frequentemente, e pela também convulsa bateria de Sam Jones. Soma-se-lhe a suavidade do saxofone da artista britânica, que guia o ensemble até ao primeiro momento de pausa, ao minuto e meio de música, com os protagonistas a colocarem pé no freio. O regresso ao desassossego acontece pouco depois com um novo aumento no conta rotações dos quatros instrumentos que parecem percorrer as ruas e avenidas a alta velocidade, até ao momento em que alcançam novo descampado para descansarem – e assim consecutivamente.

Ainda que tenha surgido em pleno período de pandemia e distanciamento social, que ditou uma travagem brusca no nosso quotidiano, obrigando-nos a colocar os hábitos e rotinas em perspectiva, “Pace” ressalva a importância de abrandarmos o nosso ritmo diário e de guardarmos algum tempo e dedicação para os outros e, sobretudo, para nós.