Em 2018, AMMAR 808 mostrou ao mundo o arrojado Maghreb United, um álbum que embebeu a tradição dos países do norte de África em corpulenta electrónica, que em muito se inspira na sonoridade da clássica TR-808 da Roland. Sofyann Ben Youssef, o cérebro responsável por Bargou 08 e teclista de Kel Assouf, lançou o convite a três cantores da zona do Magrebe: Cheb Hassen Tej (Tunísia), Saidi (Argélia), que chegou a colaborar com a gigante Natacha Atlas, e Mehdi Nassouli (Marrocos), que colecciona trabalhos com Fatoumata Diawara e Justin Adams.

A isto junta-se ainda a sonoridade do guembri – um alaúde de três cordas utilizado pelo povo Gwana – trazido por Nassouli, bem como a flauta gasba e a gaita de foles zukra adicionados por Lassad Boughalmi, dos Bargou 08. O disco ganhou o devido destaque na imprensa especializada e chegou mesmo às páginas digitais do The Guardian, que disse tratar-se de “um caso de inclinação total, com linhas de baixo estrondosas combinadas com vozes exuberantes”.

No seu mais recente single, editado no passado dia 12 de Junho, AMMAR 808 viaja até ao sul da Índia, mais precisamente Chennai, para se emparelhar com Susha, cantora de música carnática – género pertencente à música clássica do sul da Índia com uma tradição oral milenar ligada às ciências, à dança, ao teatro, à religião e à filosofia. “Marivere gati” volta a cruzar o tradicional com o electrónico, recorrendo novamente à textura engrossada e muito característica do velhinho modelo da Roland. A canção, que introduz o seu próximo disco, Global Control / Invisible Invasion, com saída marcada para 18 de Setembro, é uma ode a Meenakshi, um avatar de Parvati, a deusa Hindu da fertilidade, amor e devoção.