Stokely Carmichael é a figura central em novo single de Pachakuti & young.vishnu

É possível que o nome Stokely Carmichael não faça soar imediatamente o carrilhão da familiarização, mas foi ele que, em 1966, popularizou o termo “black power”. Activista do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos, Carmichael foi a força motriz do Student Nonviolent Coordinating Committee, movimento estudantil que pregava a não-violência na luta contra o racismo, e Primeiro-Ministro Honorário dos Panteras Negras, partido político formado por negros que se insurgiam contra a discriminação. Inspirado por nomes como Malcolm X e Martin Luther King Jr., Stokely Carmichael tornou-se num dos mais populares e controversos líderes negros do final da década de 60. J. Edgar Hoover, director do FBI, identificou Carmichael como o homem com maior probabilidade de suceder Malcolm X como o “messias negro americano”.

Em 1968, o activista mudar-se-ia de armas e bagagens para África, estabelecendo-se no Gana. Em 1969, mudou-se para a Guiné, onde trocou, anos mais mais tarde, o seu nome para Kwame Ture, em homenagem aos líderes africanos Kwame Nkrumah e Touré. Morreria em 1998, vítima de cancro da próstata, aos 57 anos. Carmichael fora casado com a cantora e activista sul-africana Miriam Makeba.

É na luta desta importante figura que Pachakuti (multi-instrumentista) e young.vishnu (produtor) se inspiraram para a criação de “Power”, um tema que sampla um poderoso discurso do activista norte-americano, no início dos anos noventa. Para esta espécie de homenagem, os dois músicos contam ainda com a ajuda de Masha Kashyna no vibrafone. “Inspirado pela análise apurada de Stokely, bem como os seus argumentos humorísticos e assertivos”, podemos ler no comunicado de imprensa, “Pachakuti compôs ‘Power’ como forma de recordar a liderança histórica do movimento Black Power contra o racismo e a supremacia branca em todo o mundo, nos anos setenta, incluíndo a suas claras visões de poder e autodefesa, e a contagiosa atitude de orgulho, coragem e certeza”.

As palavras de Carmichael na introdução do vídeo:

“We must understand, the problems we suffer
is only because we are powerless.
If a white man wants to lynch me, that’s his problem.
If he has the power to lynch me, that’s my problem.
So the only reason why the white man
can lynch me, is because I’m powerless.
Subsequently, the only way I can fight white
supremacy is through power.
P-O-W-E-R!
And the only way you get political power
is through the organized masses.”

“Power” faz parte de Semilla, um álbum conjunto de Pachakuti e young.vishnu, com edição marcada para dia 4 de Setembro. Pachakuti é um saxofonista com treino clássico e um pianista com forte inclinação para os campos da música jazz e latina. young.vishnu é um beatmaker e samplologista, fundador da Nima Composition Archive. Conheceram-se há cinco anos em Hildesheim, Alemanha, e tornaram-se amigos numa road trip com amigos ao País Basco, Espanha. Os dois músicos formaram uma banda de nove elementos chamada Soularkestra, que se tornou no núcleo deste novo projecto. Com Semilla, o duo mergulha fundo nos meandros do hip hop, jazz, funk, soul e música latina, com sólidas mensagens de política, identidade, globalização e neocolonialismo.

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