A cidade de Cremona silenciou-se para ouvir o som do Stradivarius

O vídeo tem a assinatura da Native Instruments e convida-nos a conhecer o projecto que visou samplar o som do mítico Stradivarius no auditório Giovanni Arvedi do Museo del Violino, em Cremona, Itália. Tratam-se de peças com 300 anos de existência, divididas entre violinos, violas e violoncelos, construídas pela família Stradivari, particularmente Antonio Stradivari, durante os séculos XVII e XVIII. Autênticas relíquias. O Stradivarius é conhecido pelo seu som único e também pelo seu valor, que pode ascender a números astronómicos – em 2010, o violino Molitor, que, segundo rumores, pertenceu a Napoleão, foi vendido à violinista Anne Akiko Meyers por 3 milhões de euros; um ano depois, o Lady Blunt, de 1721, em condição imaculada, foi adquirido em Londres por 13,45 milhões de euros.

Cremona mantém uma ligação umbilical com o violino. Além de ter sido o berço de Antonio Stradivari é também um centro importante para o fabrico e estudo do instrumento, com cerca de 100 workshops espalhados pela cidade. Não está apenas presente na história desta comuna da região da Lombardia mas igualmente no dia-a-dia das pessoas que nela vivem, rodeadas de violinos, lojas de violinos, um museu e até uma estátua do criador do Stradivarius. Para Antonio de Lorenzi, um dos músicos envolvidos no projecto, foi importante esta iniciativa ter acontecido em Cremona, o coração da criação do violino. “Tocar um Stradivarius significa ter um pedaço de história em mãos”, sublinha. “É um instrumento que já foi tocado pelos grandes violinistas do passado, um objecto que viajou o mundo”.

Para tal, os músicos e engenheiros de som envolvidos escolheram o auditório do Museu del Violino, construído por Yasuhisa Toyota, um dos mais famosos arquitectos de salas de espectáculo do mundo. A sala é de pequena dimensão, com apenas 460 lugares, mas foi desenhada para música de câmera, quartetos e solos, preservando a acústica original das fontes sonoras. Infelizmente, o museu está localizado no centro de uma agitada cidade, o que poderia interferir com os exercícios de captação – qualquer decibel em excesso oriundo do exterior comprometeria todo o trabalho realizado no interior, por mais insonorizado e controlado que o ambiente fosse. Como forma de evitar isso, o Presidente da Câmara de Cremona pediu, em conferência de imprensa, para os habitantes evitarem qualquer tipo de ruído desnecessário durante as longas horas de trabalho, o que foi imediatamente respeitado pela população.

Uma equipa de gravação, 32 microfones colocados em posições estratégicas, um polícia armado para salvaguardar a segurança e a integridade dos artefactos históricos, quatro músicos, repartidos entre violinos, viola e violoncelo, e uma maratona de 12 horas de sessão – quatro por cada instrumento, que equivale também ao tempo máximo que o violoncelo pode ser manuseado, dada a sua fragilidade. Um esforço conjunto para imortalizar o som do Stradivarius e encapsulá-lo digitalmente no software na Native Instruments, Stradivari Violin.

“Eu vejo uma grande responsabilidade neste projecto”, confessa Lorenzi no final do vídeo. “Porque o trabalho que estamos a fazer aqui está destinado para o futuro. É um trabalho que tem um carácter definitivo, porque vai-nos ser permitido reproduzir o som, o timbre e a voz destes instrumentos. O que estamos a fazer vai ficar para sempre. E por isso esta emoção e esta responsabilidade de saber que, em todo o mundo, a pessoas vão ter à sua disposição o som destes fantásticos instrumentos tocados por nós”.

 

23