The Silhouettes Project: A nova incubadora para artistas nos meandros do hip hop, soul e jazz

Não é uma editora, muito menos uma equipa de gestão. The Silhouettes Project é-nos apresentada como uma plataforma de artistas, uma comunidade. As coordenadas são claras: hip hop, soul e jazz. O projecto providencia um espaço aberto – um estúdio de gravação e uma sala de espetáculos localizada no Total Refreshment Center em Hackney, Londres – onde artistas, músicos e produtores podem conectar-se e criar.

Fundado pelos organizadores comunitários e artistas Asher Korner (Kosher) e Jaden Osei-Bonsu (Eerf Evil) em 2019, o Silhouettes Project tem como parceiro editorial a Melting Pot Music, casa-mãe de trabalhos de nomes como Jake Milliner, FloFilz, Summer Sons, C. Tappin, Lesky e Cap Kendricks, citando apenas alguns exemplos. A direcção artística é da responsabilidade de Sergio Alferez (SagaUno), um aclamado designer e ilustrador oriundo de Medellín, Colombia. 

O Silhouettes Project arrancou a sua actividade em Setembro e promete lançar um single todas as quintas-feiras – Kofi Stone, Summers Sons, Enny, KeepVibesNear, Manik MC, Lex Amor, Louis The Hippie, Summer-Pearl, Joe Beard e Stephanie Santiago são alguns dos artistas que integram a lista de lançamentos. “At The Bay”, de Bel Cobain e Lex Amor, é o tema que inaugura a missão da Silhouettes Project e já pode ser escutado:

A história do Silhouettes Project, contada pelos seus fundadores Jaden e Asher:

“Começámos o The Silhouettes Project em Fevereiro de 2019, para iluminar a nova geração de hip hop, jazz e soul underground no Reino Unido. A comunidade é tudo para nós, e queríamos provar que, com uma rede de apoio adequada, acesso a instalações profissionais e o incentivo de uma família de artistas, poderíamos produzir algo de incrível. 

A cena musical no Reino Unido só tinha estruturas para apoiar o talento de um determinado género, ao mesmo tempo que negligenciava uma vibrante cultura alternativa do Hip-Hop. Sentimos uma frustração conjunta por isso. Quisemos unificar artistas que estão a fazer música inovadora mas que precisam de uma estrutura sólida para trabalharem – artistas que consideramos merecerem mais reconhecimento. Isso levou-nos até ao nome ‘The Silhouettes Project’, por querermos iluminar esse artistas que vivem nas sombras. 

A aventura começou ao embarcarmos num álbum colaborativo que nos permitiu juntar mais de 30 nomes numa única fita e criar uma rede de talentosos artistas com o mesmo calibre. O álbum demorou mais de um ano a ser construído, trabalhámos quase todos os dias no estúdio Root 73, um espaço comunitário em Hackney. Soubemos desde as primeiras sessões que estávamos no caminho certo, e a energia em torno do projecto manteve-o em movimento. 

Enquanto artistas que somos compreendemos que o processo criativo pode ser desafiante e por vezes isolador, especialmente quando não existe uma rede clara de apoio para nos amparar. Isso levou-nos a trazer os nossos esforços para a esfera física, organizando uma série de eventos gratuitos de música ao vivo para todos esses artistas mostrarem o seu trabalho ao lado da nossa banda residente e conectarem-se uns com os outros. Esses eventos acontecem no Total Refreshment Center, um complexo de estúdios underground e armazém que proporcionou a esses eventos um sentimento íntimo de comunidade e às pessoas um sentimento de pertença.  

Existe uma necessidade desesperada de espaços em que as pessoas possam juntar-se e desenvolver o seu potencial criativo, especialmente com o constante cancelamento de fundos por parte do sector das artes no Reino Unido e a constante ameaça da gentrificação que causou o fechou de inúmeras comunidades e organizações criativas. À medida que crescemos enquanto marca e organização, começámos a entender a importância do que estávamos a fazer. Das sessões de estúdio aos eventos, vimos o impacto nas perspectivas das pessoas sobre as suas próprias carreiras, vimos como aumentaram a confiança em actuar e colaborar e até mesmo tomar a iniciativa de utilizar a rede fornecida para si. Ouvimos o feedback deles, sentimos a emoção na atmosfera dos nossos eventos e sessões de estúdio, e vimos a comunidade crescer cada vez que a reuníamos.”

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