Vem aí disco de remisturas de Polyhymnia, de Yazz Ahmed. O primeiro tema já pode ser escutado

Editado em 2019, Polyhymnia é uma celebração da coragem, determinação e criatividade feminina, uma dedicatória a seis musas que serviram de inspiração para Yazz Ahmed, não só no que diz respeito aos ideais que defenderam no universo da arte mas também às posições que tomaram no contexto da sociedade, revolucionando formas de pensar e agir, e transformando o próprio mundo. Através deste disco que pede o nome emprestado à musa grega da música, poesia e dança, a trompetista britânica de origem baremita presta a sua homenagem a seis incontornáveis mulheres: Haifaa Al-Mansour (a primeira mulher saudita a tornar-se cineasta; realizadora de Wadjda), Ruby Bridges (a primeira criança negra a estudar numa escola primária norte-americana exclusivamente frequentada por brancos), Malala Yousafzai (activista que ficou mundialmente conhecida após ter sido baleada na cabeça por talibãs ao sair da escola em 2012, com apenas 15 anos, isto depois de se ter manifestado contra a proibição dos estudos para as mulheres no Paquistão), Rosa Parks (popularizada por em 1955 se ter recusado a ceder o seu lugar num segregado autocarro em Montgomery, no Alabama, tornando-se num símbolo dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos), Emmeline Pankhurst (fundadora da Women’s Social and Political Union, também conhecido como The Suffragettes, uma organização que lutou pelo sufrágio feminino no Reino Unido entre 1903 e 1917) e Barbara Thompson (saxofonista e compositora britânica de jazz que vingou durante muitos anos numa cena musical predominantemente masculina).

Tal como aconteceu com La Saboteuse, o muito aplaudido trabalho de 2017, também Polyhymnia vai ter direito a disco de remisturas. Ahmed recorreu às redes sociais para informar que Polyhmnia Remixed tem edição marcada para dia 6 de Novembro e revelou a releitura que DJ Plead fez para “Ruby Bridges”. O tema ganha assim nuances do médio oriente embebidas nos padrões rítmicos do artista libanês-australiano e complementadas pela composição de Yazz Ahmed que, já por si, evoca escalas e texturas árabes. Acerca da música, Plead partilha: “Remisturar esta canção foi como resolver um puzzle. Tentei o melhor para que fosse ao encontro do sentimento live e orgânico de Yazz, do qual tenho inveja. Assim que tive o novo groove alinhado, a restante faixa resolveu-se sozinha e de forma natural”. Afiliado a editoras como Nervous Horizon e Decisions, o livro de estilo de DJ Plead é fortemente influenciado pela sua herança, percorrendo géneros como o dabke libanês e o mahraganat egípcio com recurso a UK bass, jungle e house. Ainda sobre a remistura para “Ruby Bridges”, desta vez nas palavras de Yazz Ahmed: “A imaginação e a criatividade depositadas na criação desta faixa surpreenderam-me bastante. Adoro as múltiplas camadas de detalhe e o cuidado que ele teve a criar uma música tão impressionante. Esta remistura vai recompensar muitos ouvintes – há sempre algo de novo para descobrir a cada reprodução. Transporta-nos para uma jornada que queremos repetir vezes sem conta”.

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